segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Colega de esquerda, a culpa também é sua.

Texto postado originalmente no meu Facebook.

Prezado colega de esquerda, a culpa também é sua.

Não, não estou condenando-o culpado pelo voto em Dilma que trouxe Temer como vice. Votamos num plano de governo, não simplesmente numa pessoa. O plano de governo petista tinha a ver com nossos ideais, Dilma era um nome forte. Temer e o PMDB viriam a tiracolo mas, sabíamos, melhor um vice decorativo dentro daquele plano de governo do que cogitar a vitória da oposição.

Dilma venceu. Numa maioria apertada, mas venceu. Sucedeu por mais alguns anos a nova era brasileira que começara em 2002 com Lula.

Mas a queda do governo eleito democraticamente, prezado amigo de esquerda, também é culpa sua.

Com o passar dos anos de um governo que visava a inclusão da classe mais baixa da população, muita coisa mudou. Passamos a ter acesso à universidade, cursos e empregos - não apenas os sub-empregos que eram reservados para nós antes. Ascendemos econômica e socialmente, ganhamos qualidade de vida.

Mas uma hora o governo viu a necessidade de se afastar da esquerda e se aproximar do centro. "Tudo bem, melhor um governo ruim de esquerda que um bom de direita", "o quê? O posicionamento do PT é imperdoável!", então nos dividimos, passamos a nos especificarmos em partidos diferentes - todos de esquerda, sim, mas uns mais ao centro que outros e esses, mais ao centro e aqueles mais à esquerda afastaram-se. Junto com isso, a ascensão de movimentos sociais que dentro de si também passaram a classificar-se em partidos - ou, ainda, sem partidos. "Fora todos!", uns e outros diziam.

Segregamo-nos. Parece forte dizer isso, mas é o que aconteceu com a esquerda no Brasil. Acomodamo-nos e deixamos de nos mobilizar a nível nacional. Passamos a debater nossos ideais em círculos cada vez menores e mais fechados. Enquanto isso, diante dos nossos olhos, a direita conservadora se organizou e - diante dos nossos olhos! - causou um golpe de estado.

Agora, nessa esquerda desmobilizada, desunida e que muitas vezes não "bota a cara no sol" se escondendo sob o viés de neutralidade, mobilizações a nível nacional se tornam muito mais difíceis.

Conclusão um: VAMOS BOTAR A CARA NO SOL
Conclusão dois: VAMOS TRAZER MAIS GENTE PRA PERTO
Conclusão três: SE VOCÊ E SEU ABIGUINHO DE ESQUERDA TEM ALGUMAS DIVERGÊNCIAS, DANE-SE, AGORA TEMOS QUE DAR AS MÃOS.

Pela atenção, obrigada.

Nenhum comentário: