segunda-feira, 5 de maio de 2014

Quando tomamos consciência da brevidade da vida se tornam tão insignificantes aquelas fotos sorridentes, como que para mostrar ao mundo do tamanho da sua felicidade. Quando tomamos realmente consciência da brevidade da vida, por um dia ou dois, tudo deixa de fazer sentido. É como suspender-se numa mentalidade atemporal e dali analisar todo o meio que o cerca.
Eu podia ter nascido há cinquenta anos ou daqui cinquenta anos. Tudo seria diferente, mas pertenço a este tempo. Mesmo não sabendo o tempo restante na contagem regressiva da vida, tenho um tempo limitado, uma "limitação temporal". Eu pertenço ao agora e, por mais curiosidade que eu sinta, não poderei saber o que será do mundo um século adiante.
Com sorte, com uma boa saúde, talvez eu chegue às oito, nove ou até dez décadas de vida, quem sabe? Mas é tão pouco tempo perto de toda a história da humanidade. É tão pouco e é toda minha vida. Algumas décadas, sendo duas delas, já concluídas.
Quando tomamos consciência da brevidade da vida, cada abraço vira despedida; não temos como saber se será mesmo a despedida definitiva, afinal. Cada momento feliz é desejado ser eterno, mesmo que nada seja eterno. Cada suspiro, cada sensação é sentida profundamente, como se fosse a última. A vida é breve, muito breve.
Passou tão rápido dos meus dez anos até agora e em pouco tempo já faço vinte. Sou muito nova pra uma crise de meia idade, mas acho que é algo mais ou menos assim que estou passando. Tomando consciência de que a vida é curta e passa rápido. Passa rápido demais.
Parece que faz um instante que eu tinha dez. Mais alguns anos e então me virá o fim da vida. Aí a vida toda terá passado num instante. E depois?

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