segunda-feira, 28 de abril de 2014

Era um dia chuvoso e ela estava com uma agonia que nunca antes sentira. Embarcou, e em poucos quilômetros de viagem, lágrimas escorreram. Tantas quantas as gotas que escorriam vidro afora.
Abriu as notas no celular, talvez escrever a aliviasse. Aquela agonia a estava corroendo. Escreveu:

Eu não quero morrer. E cada vez que penso nisso, sinto frio, meu coração dói, meu estômago revira. Eu queria acreditar em vida após a morte. Em reencarnação. Em paraíso. Céu e inferno. Mesmo que eu fosse para um inferno, saber que a morte não seria o fim já me aquietaria. Eu queria, muito, acreditar em qualquer uma dessas coisas, mas não consigo. Eu vou morrer e não há nada que eu possa fazer. Vou deixar de existir, vou apodrecer, meus pensamentos e convicções se perderão no ar. Não importa quão longa e bem vivida seja minha vida, ela vai acabar. E o mundo vai continuar no dia seguinte, eu não estarei mais aqui. Oh céus, quanta agonia pra pouco eu!

A tentativa de alívio não fora tão eficaz, mas por hora era o suficiente para que ela pudesse cair no sono no decorrer da longa viagem.
Ela caiu, também o ônibus. Celular numa poça d'água, ninguém o leu. A garota morreu.

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