quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Era dezembro de 2012, eu lembro bem. Mal saíra de um trabalho no qual meu perfil não se adequava e então aproveitava o tempo livre para poder tirar o mais caro dos documentos: a carteira de habilitação. Como de praxe, exames psicotécnicos antes de, de fato, começar as aulas. Como de praxe naquela clínica psicológica, testes de percepção e medição do Q.I.. Instiguei-me.
- Letícia, você faz algum curso, faculdade...? - a psicóloga começou, enquanto analisava os resultados dos testes.
- Faculdade de Administração. - respondi. Na verdade, tinha trancado o curso superior na semana anterior, mal completara o primeiro semestre. Mas preferi responder isso a um "não estudo nem trabalho".
A psicóloga franziu o cenho e mentalmente deve ter perguntado "Administração?". Continuei:
- Na verdade pretendo sair da faculdade. Não gostei do ritmo de estudo. - falei. E era esse mesmo o motivo que me levara a trancar a matrícula.
Ela assentiu, olhou novamente o resultado dos testes, intrigada.
- Letícia, - ela começou e então me explicou o que significavam aquelas questões que eu tinha respondido e o que minhas respostas significavam, concluiu: - Não é pra menos que não tenha gostado da faculdade. Seu Q.I. é para, no mínimo, alguma engenharia. Explore seu potencial!

Eu nunca tinha parado pra pensar na minha capacidade intelectual. Achava que não seria grandes coisas com minha inteligência, mas que até podia correr atrás do conhecimento e me permitir amplas possibilidades. "Engenharia"? Isso era algo que nunca, nunquinha tinha se passado pela minha cabeça.
E foi a partir dali que eu passei a acreditar, de fato, em mim.

Dois mil e treze veio e passou. Concluí um curso técnico (na área administrativa, sim, mas que eu não queria deixar pra trás) e estudei pra única prova que me proporcionaria fazer a fim de ingressar numa universidade: o ENEM. Estudei com o material que podia me disponibilizar. Vídeo-aulas - incansáveis aulas do Telecurso 2000, diga-se de passagem - e material on-line, gratuito.
A prova passou, como de praxe não acreditei em mim. Procurei outros meios de "fazer minha vida" entre outubro e dezembro e quando saiu o resultado eu mal pude acreditar.
Passaram os períodos de inscrição dos programas do governo e dia a dia as notas de corte eram averiguadas, os cursos alterados e os planos de vida refeitos.
Enfim a primeira chamada do Prouni: Aprovada. Engenharia Civil. Pontifícia Universidade Católica do Paraná. E em seguida a segunda chamada do Sisu e a aprovação em Filosofia na UFPR.

Providências tomadas às pressas, rios de documentos entregues e então optei por cursar Engenharia Civil - mesmo que Filosofia ainda seja um grande sonho. E hoje quando paro para pensar em tudo isso, me orgulho. Bato no peito e digo: não fiz cursinho, não gastei um centavo sequer com cursos preparatórios para chegar onde cheguei e agradeço, em especial, a minha mãe.
E quando alguém me disser que não consegue ser alguém na vida por falta de possibilidades, sem dúvidas vou me usar de exemplo. A gente pode ser o que quiser, desde que 1º reconheça sua própria capacidade e 2º corra atrás do jeito que der.

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