sexta-feira, 23 de agosto de 2013

I've got all my life to live. *


É tão difícil imaginar que vão te odiar por você ser o que é, mas não tanto assim vivê-lo.

“Todos vão te detestar porque você tem olhos claros”, e então a pessoa passa a vida inteira dizendo ser cega para usar óculos escuros. Parece absurdo, não é? Sim, quase sim, mas é quase assim que me sinto. Uma das piores coisas do mundo é você não poder viver plenamente pelo simples fato de que as pessoas não podem saber algo senão vão te detestar. Você detestaria alguém por ser negro ou branco? Você deixaria de ajudar alguém porque essa pessoa tem cabelo liso ou encaracolado? Você desejaria o mal para alguém se tivesse olhos claros e não escuros? Você deixaria de conviver com alguém por ser uma pessoa baixinha ou alta demais? Você excluiria alguém do seu círculo de amizades por ser evangélico ou católico? Você desconsideraria um laço familiar se um parente seu fosse gay?

É complicado escrever sobre, é complicado. Ouvir um “se vai postar esse tipo de coisa no Facebook, exclua seus parentes antes” equivale a um “esconda-se, eles não vão gostar de você!” e é terrível ter que conviver com isso. Tento ser sutil, no dia a dia demonstrar meu verdadeiro eu – com o qual poucos, pouquíssimos, convivem realmente – e me apresentar ao mundo, mas se abro demais as asas logo me podam.

Hoje vim até aqui tirar meus óculos escuros, vim abrir minhas asas e dizer para todos que chegarem até o final desse texto: eu sou homossexual – não “lésbica” nem “sapatão” – e que caso você me odeie por isso, pode me excluir não somente das redes sociais, mas da sua vida em geral. Ódio faz mal a ambas as partes.
____________________________________________
*O título faz referência à música I Will Survive, Gloria Gaynor: "Eu tenho minha vida toda para viver"

Um comentário:

Anônimo disse...

“Se vai postar esse tipo de coisa no Facebook, exclua seus parentes antes”. Chega a ser um círculo vicioso. Algumas famílias têm vergonha, outras dizem que gay tem um destino ruim. Mas isso acontece por culpa da própria sociedade e seus pré-conceitos, social ou religiosamente falando, que tem o ódio, que discrimina e rotula.
Temos que viver até que compreendamos que somos iguais porque somos diferentes e que não é o gay que merece respeito, mas o ser humano como obra de Uma Força Maior/Natureza/Deus, com todas as suas necessidades e particularidades.