domingo, 9 de junho de 2013

Primeira pessoa do singular

Ela não usa outro calçado que não o bom e velho All Star. Ela não é daquelas que atende chamados de desconhecidos. Ela realmente adora escrever sobre si mesma – e aprendeu a fazê-lo na terceira pessoa depois de O Mundo de Sofia. Ela repete roupas, ela não está na moda, mas ela não está nem aí pra isso. Ela subestima as pessoas. Ela é subestimada. Ela acha coisas patéticas e quando acha não há quem consiga argumentar contra. Ela ama escrever – meu Deus, e como ama! –, mas imagina ser uma pena que todo seu conhecimento não possa ser transmitido. Ela ama superficialmente. Ela ama profundamente. Ela odeia, também. Ela interpreta, invariavelmente. Ela sabe persuadir constantemente. Ela é uma rainha matadora. Ela é. Ela faz. Ela acontece. Bom, ao menos ela tenta. Ela quer, deseja. Ela não liga de quebrar a cara uma ou mais vezes. Ela vê graça no que não tem. Ela faz graça onde não existe. Ela está sempre aí, afinal, amigos são pra isso. Ela nunca dá satisfação, afinal, filhos são pra isso. Ela ajuda e cobra, afinal, a humanidade está aí pra isso. Ela fotografa, filma e edita. Ela não larga o celular. Ela é antiquada. Ela é supersticiosa. Ela é racional. Ela é impulsiva. Ela é intuitiva. Ela é transparente? Ela tenta parecer, mas não é.

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