quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Luz da Lua 2 - O Arco do Vento Cortante - Diego Medeiros | Resenhando + ...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Luz da Lua 2 - O Arco do Vento Cortante - Diego Medeiros | Resenhando ...









Saiu, saiu, SAIUUUUUUUU A PRIMEIRA RESENHA DE LUZ DA LUA - O ARCO DO VENTO CORTANTE!!! Uma excepcional resenha by Priscila Gonçalves​ do canal LivroNiacos​!! E de quebra, ainda tem sorteio do volume um, A Caçada do Imortal, autografado!!

Tá esperando o quê pra participar, assistir, curtir, compartilhar e se inscrever no canal?????

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Anotação para desenvolvimento posterior

O que são verdades senão crenças?

Toda verdade baseada em conclusões a partir de nossos sentidos são crenças, uma vez que nunca poderemos saber se os sentidos do outro apontam para aquela verdade da mesma forma que os nossos sentidos.

Alguém poderá dizer: "as verdades matemáticas são inquestionáveis".
Respondo eu: errado.

Errado, pois nossas crenças matemáticas se baseiam num sistema numérico decimal, com ângulos formas e cálculos feitos sobre esse sistema decimal com os símbolos e letras que nós atribuímos a essas "verdades". Mais uma vez, a verdade não passa de crença. Pois nós cremos que o sistema numérico decimal seja uma verdade imutável e, portanto, inquestionável, mas eu acredito que estamos errados.

Seguindo essa linha de raciocínio para todos os objetos imateriais ditos pela nossa lógica como "verdades inquestionáveis", podemos chegar à conclusão de que todas as nossas verdades não passam de crenças

Colega de esquerda, a culpa também é sua.

Texto postado originalmente no meu Facebook.

Prezado colega de esquerda, a culpa também é sua.

Não, não estou condenando-o culpado pelo voto em Dilma que trouxe Temer como vice. Votamos num plano de governo, não simplesmente numa pessoa. O plano de governo petista tinha a ver com nossos ideais, Dilma era um nome forte. Temer e o PMDB viriam a tiracolo mas, sabíamos, melhor um vice decorativo dentro daquele plano de governo do que cogitar a vitória da oposição.

Dilma venceu. Numa maioria apertada, mas venceu. Sucedeu por mais alguns anos a nova era brasileira que começara em 2002 com Lula.

Mas a queda do governo eleito democraticamente, prezado amigo de esquerda, também é culpa sua.

Com o passar dos anos de um governo que visava a inclusão da classe mais baixa da população, muita coisa mudou. Passamos a ter acesso à universidade, cursos e empregos - não apenas os sub-empregos que eram reservados para nós antes. Ascendemos econômica e socialmente, ganhamos qualidade de vida.

Mas uma hora o governo viu a necessidade de se afastar da esquerda e se aproximar do centro. "Tudo bem, melhor um governo ruim de esquerda que um bom de direita", "o quê? O posicionamento do PT é imperdoável!", então nos dividimos, passamos a nos especificarmos em partidos diferentes - todos de esquerda, sim, mas uns mais ao centro que outros e esses, mais ao centro e aqueles mais à esquerda afastaram-se. Junto com isso, a ascensão de movimentos sociais que dentro de si também passaram a classificar-se em partidos - ou, ainda, sem partidos. "Fora todos!", uns e outros diziam.

Segregamo-nos. Parece forte dizer isso, mas é o que aconteceu com a esquerda no Brasil. Acomodamo-nos e deixamos de nos mobilizar a nível nacional. Passamos a debater nossos ideais em círculos cada vez menores e mais fechados. Enquanto isso, diante dos nossos olhos, a direita conservadora se organizou e - diante dos nossos olhos! - causou um golpe de estado.

Agora, nessa esquerda desmobilizada, desunida e que muitas vezes não "bota a cara no sol" se escondendo sob o viés de neutralidade, mobilizações a nível nacional se tornam muito mais difíceis.

Conclusão um: VAMOS BOTAR A CARA NO SOL
Conclusão dois: VAMOS TRAZER MAIS GENTE PRA PERTO
Conclusão três: SE VOCÊ E SEU ABIGUINHO DE ESQUERDA TEM ALGUMAS DIVERGÊNCIAS, DANE-SE, AGORA TEMOS QUE DAR AS MÃOS.

Pela atenção, obrigada.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A visão de gênero dentro da Teoria Queer

O que não é performance?

A pergunta inicial não diz muito a quem nunca se envolveu em debates sobre questões de gênero, mas a afirmativa do gênero como performance é bem próxima daqueles seguidores e dos odiadores da teoria queer. A noção de gênero como performance é de Judith Butler, nos anos 90. Junto dela, Beatriz Preciado e Michel Foucault foram grandes pensadores das questões de gênero que acabaram por criar o queer.

O termo "queer", traduzido do inglês como "esquisito", "estranho" vinha para nomear todos aqueles que saíam da cis-hetero-norma. Tudo aquilo que não era cis e/ou hétero era estranho e, portanto, queer. Antes, no início do século XX, o mesmo termo era usado para nomear tudo o que era exótico, numa leitura positiva da palavra.

Mas voltando à questão inicial: o que não é performance?

Em primeiro lugar, temos que tirar qualquer ambiguidade do termo performance. Aos críticos da teoria queer, a palavra performance muitas vezes é mal interpretada ou posta dentro de uma interpretação totalmente distinta daquela que deveria ser feita para a compreensão dessa teoria, o que acaba criando uma leitura equívoca.

Em nossas vidas, desde o nascimento, somos ensinados dentro de normas e condutas sociais, morais e culturais e isso nos torna quem somos. Assim, todo comportamento, do mais simples - como a forma que levantamos da cama ao acordar - ao mais complexo - como a nossa expressão de gênero - é condicionado dentro daquilo que nos foi imposto. Isso tem a ver com a nossa socialização. Aceitando que todos os nossos comportamentos são socialmente e culturalmente construídos, dizemos que tudo é performance. A palavra performance aqui tem o sentido de condição. É condição para que você seja mulher atender aos requisitos tal, tal e tal; é condição para que você seja um bom aluno atender aos requisitos tal, tal e tal; é condição para que você seja popular entre os amigos atender aos requisitos tal, tal e tal; e assim a lista se segue infinitamente. Somos condicionados a querer ser X ou Y dentro da sociedade, mas as condições nem sempre são acessíveis e nem sempre são as que almejamos, principalmente depois de notarmos como funciona o processo de socialização. Assim, tanto dentro do que faz uma mulher ou um homem cis ou trans, tudo é de acordo com regras e normas invisíveis que nos são ensinadas e, portanto, como todo o resto, gênero é performance, sejamos nós cis ou trans.

A partir dessa compreensão, passamos a perceber toda a dicotomia de "coisas de homem" vs. "coisas de mulher" que nos são ensinadas e naturalizadas ao longo de gerações, ao longo das nossas vidas e que provavelmente continuarão sendo ensinadas. Desde a forma como devemos nos portar até a violência que sofremos e como sofremos passa a ser notada sob essa ótica e então passamos a nos questionar: o que fazer?

Ao contrário de uma vertente feminista que não deve ser nomeada, dentro do queer acreditamos na revolução do gênero. É como se estivéssemos diante de tudo que nos ensinaram a separar nas caixinhas de "coisas de homens" e "coisas de mulheres" e nós, estranhos como somos, decidíssemos fechar os olhos e escolher  arbitrariamente os signos (signos aqui no sentido de símbolos, sinais, marcas) que passarão a compor nosso novo eu. A partir da noção da estrita separação dos binários de gênero, nos proporíamos a desbinarizar o gênero. 

Se eu nasci com uma vagina, por que eu não poderia usar roupas largas, não me preocupar com a estética e não poderia ser tratado no masculino? Poderia! Liberte-se do binário imposto em toda a sua vida e seja o que quiser!

No livro Manifesto Contrassexual, do Beatriz Preciado, foi cunhada a expressão - que eu considero absolutamente genial - "corpo vivo", onde passaríamos a não mais nos ater em "feminino" e "masculino", mas sim meramente às nossas vontades e assim revolucionaríamos a noção de gênero. Ampliada a noção de gênero, conceitos como "coisas de homem" e "coisas de mulher" não fariam mais o menor sentido. Seriam apenas "coisas de pessoas".